segunda-feira, 6 de julho de 2015

Lolita: A polêmica de Vladimir Nabokov



    O politicamente correto era vigiante na época em que "Lolita" foi escrito-1955. O autor russo-americano, Vladimir Nabokov, inovou a literatura ao lançar um romance que até mesmo para os mais "avançados" era motivo de tabu. Não é sempre que se tem nas páginas de um livro o romance entre um viúvo e uma adolescente de doze anos, isto é, em um momento onde os bois não tinham nomes- Pedofilia.
    Nabokov narra de forma leve e sem dar detalhes sexuais da relação entre Humbert e Lolita, embora muitos afirmam que o manuscrito original era recheado de cenas de sexo. Neste livro temos a saga de Humbert que se apaixona por Lolita, mas para ter de ficar perto da amada precisa casar-se com sua mãe. Uma fatalidade marca a vida de Lolita e Humbert, onde a mãe de Dolores (Lolita) morre e Humbert passa a ter sua tutela e a viver um romance secreto com a menina.
    A proposta desta postagem não é escrever o resumo do livro e sim comentar que os valores de um romance com mais de sessenta anos de existência ainda fazem parte do nosso dia a dia.
Trazendo aos dias atuais, uma moça de doze anos com um senhor de quarenta não é mais algo tão chocante quanto na década de cinquenta, porém esta mesma relação nos dias de hoje não seria proibida e muito menos um ato criminoso.  Creiam que há cinquenta anos atrás isso era motivo de morte.
    Em contrapartida, estamos vivendo um momento do "politicamente correto", digo, mulher deve estar casada com homem e de modo algum relacionamentos homossexuais são considerados normais. Eles até existem, mas na cabeça das pessoas são inaceitáveis. O que quero dizer é que "Lolita" não seria um livro bem aceito no século XXI, apesar da modernidade, pois as pessoas são dotadas de opiniões fortíssimas e a censura atual (Igreja) faria o possível para tirar o livro de circulação ou então causar manifestos quanto a publicação do mesmo. Se em 1955 várias editoras recusaram-se a lançar o livro de Nabokov, imagine nos dias de hoje.
    Darei agora uma outra opinião: Mesmo sabendo que um romance é uma obra ficcional, ainda assim consigo ver traços biográficos de Vladimir Nabokov em "Lolita", pode ser apenas um jeito peculiar da narrativa. Enfim, terá o autor vivido um romance proibido com uma adolescente? Só o coitado poderia afirmar, todavia, neste exato momento o único resto mortal do mesmo que temos são seus legados literários.
    Livros como a trilogia "Cinquenta tons de cinza" e autobiografias como "O doce veneno do escorpião" não chocam tanto os mais conservadores do que um amor de uma menor de idade e um quarentão.
    Já ouço certos comentários do tipo: "-Preferiria morrer ao ver uma filha minha com doze anos enamorada por um velho de quarenta"... Finalizo esta postagem dizendo que opinião e ponto de vista são que nem membros do corpo, "cada um tem o seu" e que o livro de Nabokov não tem nada que vá acabar com a moral ou trazer a desgraça para dentro da casa de uma família, ao contrário, agregará valores em nível de cultura e conhecimento.








Por Jhonata Teixeirão

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