quinta-feira, 16 de abril de 2015

O gótico: Origem e permanência


    Mary Shelley, Frankenstein; Bram Stoker, Drácula; Robert Louis Stevenson, Strange Case of Dr Jekyll and Mr Hyde são alguns dos autores e obras que influenciaram grandes nomes da nossa atual literatura Gótica/ Terror. Cito alguns escritos famosos e consagrados como Stephen King autor de Carrie, a estranha, o Iluminado, etc, Neil Gaiman, Sidney Sheldon, Álvares de AzevedoJoe Hill, O Pacto, entre tantos outros que discorrem com louvor acerca do estilo. Não posso deixar de dizer que eles, os escritores contemporâneos citados, também sofreram influência do insólito Edgar Allan Poe, que em seus contos e obras estabelecia um gênero gótico diferenciado por dialogar com o leitor.
    Vamos antes conceituar o que vêm a ser o estilo gótico. O gótico segundo José D'Assunção Barros, é um elo que envolvem o romance em um atmosfera de mistério, mitos, imaginação e realidade, onde teve seu início na Inglaterra com grande aceitação daqueles leitores.
    Atualmente o gênero está voltado ao público jovem, oferecendo facultativamente uma crítica ou reflexão sobre a sociedade. Os grandes influenciadores, Shelley, Stevenson e Poe não escreviam terror por terror, eles escreviam terror com críticas. O que seria isso? O terror de Poe, de Shelley não apresentava unicamente como elemento principal o medo, o estranho, mas sim a reflexão, o retrato de uma sociedade ou de sujeitos que viviam por viver, refletiam sobre a vida, e ali seus temores, seus terrores eram printados causando a catarse no grande público. O intuito não era o medo, as criaturas "anormais", mas sim a reflexão, o estado de espírito do ser humano e principalmente os limites da mente humana. Havia medo? Sim. Pois, quando se trata da mente humana e suas vertentes o medo é algo iminente, é dolorido, é assombroso, é gótico e isto era um dos objetivos. Não era uma literatura para distração somente, porém uma que causasse reflexão. Por que o medo então nesta vertente? Porque tudo que é novo, é diferente, nos causa medo, estranheza, pudor e afastamento. 
    A literatura gótica é vista por muitos estudiosos, teóricos, como literatura sem engajamento, sem propósito, mas se analisada a fundo, teremos a resposta, veremos que aquilo que é sombrio não vem das criaturas "inventadas"(permitam-me a redundância), mas sim, fruto da nossa mente.
    Longe de mim dizer que os autores contemporâneos não são críticos, este nem é o objetivo do assunto de hoje, o que quis expor foi que eles tiveram suas influências em raízes sólidas e não vazias como uns e outros julgam ser.
 Por hoje é só.

Por: Jhonata Teixeirão

quinta-feira, 9 de abril de 2015

De Byron, Álvares de Azevedo , "Mal do século", Geração Beat à Cazuza, Janis Joplin e Amy Winehouse: Sexo, drogas, literatura e Rock in roll



    Não é de hoje que a literatura vêm influenciando artistas pelo mundo todo. Como também não é novidade que Amy Winehouse e Cazuza tinham suas inspirações literárias.
Houve um período na nossa literatura, Romantismo, mais precisamente em segunda fase, "Mal do século", em que os poetas escreviam sobre temáticas envolvendo amor, morte, dúvidas, ironias e tédio. Neste período também era comum escrever sobre a vida boêmia, a vida regrada à bebidas, drogas e questionamentos acerca da vida. Os poetas que se destacaram neste chamado "Mal do século" (denominação ao tipo de literatura produzida e ao estilo de vida dos poetas) foram Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu e Junqueira Freire. Estes por sua vez foram influenciados pelo poeta Inglês Lord Byron que escrevia sobre o subjetivismo e sob uma outra forma mais obscura de ver a vida. A maioria desses poetas do chamado "Mal do século" morriam cedo devido aos problemas causados pela vida boêmia. Deixo bem claro que isso ocorreu no Brasil.
    Avançando ao norte e no tempo, vamos aos "States", período pós-guerra, onde o país se encontrava naquela "depre" e a literatura era de cunho documental. Eis que surge um grupo que defendia a liberdade de criação e uma nova reforma na literatura, que objetivava o entretenimento, e os relatos de uma vida muito louca, na estrada, regrada à sexo, drogas e muito rock. Os precursores desta literatura foram Jack Kerouac, Ginsberg e seus amigos, denominados de "Beats", os loucos, os inovadores.
    Há uma diferença de data gigantesca entre os períodos citados, no Brasil o "Mal do século" deu-se em meados de 1840 e nos Estados Unidos há cerca de 70 anos. Os "Beats" também foram influenciados por poetas que viam a vida sob outra perspectiva, porém printaram uma nova literatura, os relatos, as reflexões da vida.
    Vamos a Cazuza, cantor que ganhou fama e notoriedade nos anos 80, com canções que despiam a alma humana, faziam o grande publico a ter outra perspectiva da vida, cantava a alma e vivia como se o amanhã fosse hoje. Cazuza foi influenciado pelos poetas do "Mal do século", levava uma vida boêmia, recitando a vida. Acabou contraindo o vírus HIV e morrendo muito jovem, assim como Casimiro de Abreu e Álvares de Azevedo. Na linha de Cazuza, Renato Russo também cantou a boêmia e viveu no século XX a vida dos protagonistas da segunda fase do Romantismo.
    Na Inglaterra temos a voz marcante de Amy Winehouse, nos EUA a peculiaridade de Janis Joplin, ambas falecidas em decorrência de seus vícios e concidentemente com a mesma idade, aos vinte e sete anos. Tanto Amy quanto Janis cantavam a vida, celebravam a depressão, faziam com que seus fãs sentissem que a vida não é um filme da Disney, mas sim um caminho sinuoso, cheio de espinhos e atrativos(drogas e amores) que podem te levar à redenção ou ao abismo. Janis Joplin foi influenciada pela geração Beat e Amy por Byron e Virginia Woolf, também autores que escreviam sobre o fluxo de consciência interno e os embates da vida
    Observamos, portanto, que o jeito peculiar de alguns artistas não é totalmente original e não são baseados em modinhas, mas sim em fatos concretos, pessoas concretas e claro, na literatura. O lado bom destes cantores influenciados é que diretamente não cometeram suicídio como aconteceu com os leitores de Goethe na Alemanha(Pré-Romantismo) que ao se depararem com o livro "Werther" encontravam como única solução a morte para suas desilusões amorosas. Deixemos Goethe pra um outro dia. 
    Mais uma vez agradeço a visita de vocês! Voltem sempre!
 
Por: Jhonata Teixeirão

quinta-feira, 2 de abril de 2015

A arte imita a vida

   

   Não é de hoje que venho refletindo a respeito da frase: " A arte imita a vida". Foram tantos os fatos cotidianos que me permitiram chegar à conclusão de que a sentença acima entre aspas é verdadeira e digo mais, até Aristóteles discorreu sobre o assunto. Segundo Aristóteles na arte o que é imitado não são pessoas, mas ações.
    Para que vocês melhor entendam o motivo da postagem e não pensem que é mais uma matéria "ralé", digo-lhes que minha reflexão está mais presente no nosso dia a dia do que nós tupiniquins podemos imaginar. Nas telenovelas, por exemplo, observamos uma série de coisas que estão presentes na nossa atualidade, cito por exemplo, o caso da violência, do libido em exagero(para não usar termos chulos) e até mesmo a questão política. Claro que não irei restringir me apenas ao gênero telenovela, pois é de valia citar casos na nossa literatura, por exemplo.
    Nas obras Machadianas, cujo o teor literário era a crítica maçante do período Realista, são notadas a presença de fatos que naquele momento histórico já faziam parte do corpo ficcional dos romances de Machado de Assis, cito o caso da escravidão e do período de transição em que o Rio de Janeiro se submetia para obedecer à padrões europeus. Também posso citar José de Alencar que fez a nossa literatura narrando fatos como o indianismo, onde seus romances Românticos tinham como pano de fundo a sociedade e fatos marcantes que o país vivenciava.
    A literatura em si anda de mãos dadas com a história, pois é através da literatura que se obtêm os relatos históricos que nos permitem entender determinado momento da nossa sociedade. Voltando à telenovela, que faz parte do gosto e da cultura brasileira, observa-se um grande leque de relatos da vida dentro da ficção. As novelas dos anos 80 mostravam um lado mais inocente do brasileiro, onde o que mais se destacava era o período político ou até alguns gritos de protesto que já ganhavam voz e corpo nas ruas do Brasil.
    Atualmente o que se vê são novelas com a cara do anos 2000, cheias de reviravoltas, maldades, sexo, drogas e recheadas de problemas sociais e políticos que nos deparamos todos os dias ao ligarmos a Tv. Na literatura, nos poemas e romances não é diferente, estes nos dão a real situação da sociedade pós-moderna, criticam, situam, além de permitir que o leitor viaje à períodos futurísticos que não fazem parte da imaginação, mas da reflexão acerca dos novos tempos.
    Fechando este assunto, que termina aqui mas que espero a continuidade na cabeça de vocês, é possível nós vermos que a ficção nada mais é do que uma realidade mais enfeitada e que nos dão a sensação de entretenimento, porém não passam de personagens e cenários que muito bem conhecemos no nosso dia a dia. Assim, digo, que a Arte imita a vida. Mas não perde sua essência, pois é ainda o nosso oxigênio em meio à tantas coisas ruins.
 
Até mais pessoal!!!!
 
Por: Jhonata Teixeirão