Não é de hoje que a literatura vêm influenciando artistas pelo mundo todo. Como também não é novidade que Amy Winehouse e Cazuza tinham suas inspirações literárias.
Houve um período na nossa literatura, Romantismo, mais precisamente em segunda fase, "Mal do século", em que os poetas escreviam sobre temáticas envolvendo amor, morte, dúvidas, ironias e tédio. Neste período também era comum escrever sobre a vida boêmia, a vida regrada à bebidas, drogas e questionamentos acerca da vida. Os poetas que se destacaram neste chamado "Mal do século" (denominação ao tipo de literatura produzida e ao estilo de vida dos poetas) foram Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu e Junqueira Freire. Estes por sua vez foram influenciados pelo poeta Inglês Lord Byron que escrevia sobre o subjetivismo e sob uma outra forma mais obscura de ver a vida. A maioria desses poetas do chamado "Mal do século" morriam cedo devido aos problemas causados pela vida boêmia. Deixo bem claro que isso ocorreu no Brasil.
Avançando ao norte e no tempo, vamos aos "States", período pós-guerra, onde o país se encontrava naquela "depre" e a literatura era de cunho documental. Eis que surge um grupo que defendia a liberdade de criação e uma nova reforma na literatura, que objetivava o entretenimento, e os relatos de uma vida muito louca, na estrada, regrada à sexo, drogas e muito rock. Os precursores desta literatura foram Jack Kerouac, Ginsberg e seus amigos, denominados de "Beats", os loucos, os inovadores.
Há uma diferença de data gigantesca entre os períodos citados, no Brasil o "Mal do século" deu-se em meados de 1840 e nos Estados Unidos há cerca de 70 anos. Os "Beats" também foram influenciados por poetas que viam a vida sob outra perspectiva, porém printaram uma nova literatura, os relatos, as reflexões da vida.
Vamos a Cazuza, cantor que ganhou fama e notoriedade nos anos 80, com canções que despiam a alma humana, faziam o grande publico a ter outra perspectiva da vida, cantava a alma e vivia como se o amanhã fosse hoje. Cazuza foi influenciado pelos poetas do "Mal do século", levava uma vida boêmia, recitando a vida. Acabou contraindo o vírus HIV e morrendo muito jovem, assim como Casimiro de Abreu e Álvares de Azevedo. Na linha de Cazuza, Renato Russo também cantou a boêmia e viveu no século XX a vida dos protagonistas da segunda fase do Romantismo.
Na Inglaterra temos a voz marcante de Amy Winehouse, nos EUA a peculiaridade de Janis Joplin, ambas falecidas em decorrência de seus vícios e concidentemente com a mesma idade, aos vinte e sete anos. Tanto Amy quanto Janis cantavam a vida, celebravam a depressão, faziam com que seus fãs sentissem que a vida não é um filme da Disney, mas sim um caminho sinuoso, cheio de espinhos e atrativos(drogas e amores) que podem te levar à redenção ou ao abismo. Janis Joplin foi influenciada pela geração Beat e Amy por Byron e Virginia Woolf, também autores que escreviam sobre o fluxo de consciência interno e os embates da vida
Observamos, portanto, que o jeito peculiar de alguns artistas não é totalmente original e não são baseados em modinhas, mas sim em fatos concretos, pessoas concretas e claro, na literatura. O lado bom destes cantores influenciados é que diretamente não cometeram suicídio como aconteceu com os leitores de Goethe na Alemanha(Pré-Romantismo) que ao se depararem com o livro "Werther" encontravam como única solução a morte para suas desilusões amorosas. Deixemos Goethe pra um outro dia.
Mais uma vez agradeço a visita de vocês! Voltem sempre!
Por: Jhonata Teixeirão